Neologia por sufixação: um estudo construcional dos formantes -nte, -ção, -izar e -ar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18364/rc.2026n70.1475

Palavras-chave:

Construcionismo, Neologismos, Funcionalismo, Morfologia, Derivação sufixal

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo realizar, sob a perspectiva funcional-construcionista da linguagem, uma análise de neologismos formados por derivação sufixal com os elementos -nte, -ção, -izar e -ar. Os dados coletados para a composição do corpus provêm de textos jornalísticos coletados dos portais Veja, IstoÉ, Terra, Olhar Digital e que datam de 2020 a 2024, e de posts das redes sociais Instagram e X/Twitter. Com base no corpus, busca-se discutir, por meio de uma análise qualiquantitativa, os processos que permitem aos falantes produzirem e compreenderem construções lexicais inéditas como ucranização, conversante, gourmetizar e coringar. Sob a hipótese de que, a partir da experiência linguística, os falantes incorporam e reproduzem inconscientemente esquemas e redes construcionais para a formação de novas palavras, este trabalho respalda-se nos estudos acerca da neologia de Alves (1996) e Jesus (2021), bem como nos pressupostos teóricos sobre Gramática de Construções (Rosário, 2022), Processos Cognitivos de Domínio Geral (Bybee, 2016) e Morfologia Construcional (Gonçalves, 2016).

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Biografia do Autor

Julia Damascena Magnavita, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

É mestranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e graduada em Letras - Português pela mesma instituição. Integra o projeto de extensão “Neoscópio - Laboratório de Neologismos”, coordenado pela Profa. Dra. Ana Maria Ribeiro de Jesus, onde desenvolve atividades relacionadas ao estudo de neologismos. Desenvolveu o Trabalho de Conclusão de Curso sobre neologia por derivação sufixal, com foco na formação de palavras e criação lexical sob a perspectiva da Morfologia Construcional.

Ana Maria Ribeiro de Jesus , Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

É doutora em Letras (Lexicologia e Terminologia do Português) pela Universidade de São Paulo, Mestre em Estudos Linguísticos (Terminologia) pela UNESP, Graduada em Letras/ Tradução pela UNESP. Possui especialização em Terminologia pelo Institut Universitari de Lingüística Aplicada da Universitat Pompeu Fabra (Barcelona). Atualmente, é professora adjunta do Departamento de Línguas e Letras da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), na área de Linguística, e professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGEL), na linha de pesquisa em Estudos analítico-descritivos da linguagem. Coordena o projeto de pesquisa “Neologia: aspectos lexicais, culturais e extração automática” e o projeto de extensão “Neoscópio - Laboratório de neologismos”.

Amanda Heiderich Marchon, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Possui graduação em Letras – Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa – pela Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia(2007), mestrado(2011) edoutorado(2017) em Letras Vernáculas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desenvolveu pesquisa de pós-doutorado em Estudos da Linguagem, na Universidade Federal Fluminense (2020-2021 PNPD-CAPES). É professora adjunta do Departamento de Línguas e Letras da Universidade Federal do Espírito Santo e professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGEL-UFES) da mesma universidade.

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Publicado

22.02.2026

Edição

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Artigos