Caminhos e limites da abordagem sociolinguística aplicada a fenômenos discursivos: o caso da variação entre os conectores “só que” e “mas”
DOI:
https://doi.org/10.18364/rc.2026n70.1473Palavras-chave:
variação discursiva, sociolinguística quantitativa, reflexão teórico-metodológica, conectores discursivosResumo
O artigo pretende discutir os desafios para a aplicação da metodologia da sociolinguística quantitativa para analisar fenômenos complexos e difíceis de se classificar em categorias discretas, como é o caso dos fenômenos discursivos. Para lidar com tais desafios, é necessário utilizar critérios claros e bem definidos na delimitação do envelope de variação, além de empreender análises qualitativas que identifiquem os condicionamentos que podem estar atuando no fenômeno em estudo (FREITAG, 2009; GORSKI; VALLE, 2016). Como pano de fundo, a discussão teórico-metodológica utiliza-se da pesquisa acerca do fenômeno de variação entre os conectores discursivos “mas” e “só que” na variedade de português de Nova Iguaçu (RJ). A pesquisa, desse modo, será apresentada em um viés qualitativo, servindo como exemplo empírico para a discussão teórico-metodológica do tratamento de variações discursivas sob o olhar da sociolinguística laboviana (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968; LABOV, 1994, 2003).
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