Pedrinho não tem história? A evolução do personagem Pedrinho a partir das fontes primárias

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18364/rc.2026n70.1463

Palavras-chave:

Pedrinho, Fontes primárias, Filologia, Monteiro Lobato, Narizinho Arrebitado

Resumo

Este artigo analisa a evolução da caracterização do personagem Pedrinho da série de livros infantis de Monteiro Lobato pelo viés filológico, a partir do resgate e do estudo de suas fontes primárias. O garoto surgiu em Narizinho Arrebitado (1921) e foi incorporado como um dos agentes centrais da trama. Na versão inicial, Pedrinho era órfão, criado por Dona Benta, caracterizado como “Pichochó”. Em 1931, em As Reinações de Narizinho, tornou-se o primo da cidade e neto consanguíneo da avó. Por meio do cotejo entre as edições da obra, constatou-se que algumas características da versão inicial foram mantidas, como a inteligência e destreza do personagem, mas outras foram alteradas. Assim, considerando a prática lobatiana de alterar sucessivamente suas obras, analisa-se a tradição textual que abrange Pedrinho, reforçando a importância do estudo de sua trajetória de publicação, circulação e transmissão para a compreensão e estudo da obra infantil de Lobato em perspectiva histórica.

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Biografia do Autor

Ana Paula Negrão Ferreira, Universidade de São Paulo (USP)

É mestra em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (2025), bacharela em Letras - Português e Alemão pela mesma instituição (2023) e doutoranda em Filologia e Língua Portuguesa também pela FFLCH - USP. Dedica-se às áreas de Crítica Textual e de Crítica Genética, com ênfase no processo de criação da obra infantil de Monteiro Lobato. Integra o grupo de pesquisa Observatório Lobato.

Phablo Roberto Marchis Fachin, Universidade de São Paulo (USP)

É professor associado do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - USP. Pesquisador nas áreas de Filologia, Paleografia, Cultura Material e História da Língua Portuguesa. Publicou “Descaminhos e dificuldades: leituras de manuscritos do século XVIII” (Trilhas Urbanas, 2008) e, com Silvia Hunold Lara, organizou “Guerra contra Palmares: o manuscrito de 1678” (Chão editora, 2021). Ao longo dos anos tem se aventurado por trilhas filológicas, sempre em busca de conhecer a história dos textos, dos seus autores, editores e dos sentidos escondidos em suas entrelinhas, materialidades e formas de transmissão.

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Publicado

22.02.2026

Edição

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Artigos